Translate

domingo, 11 de maio de 2014

Detetive Brown: Era uma vez (Parte 5)

Meu nome é Adam Brown, e eu sou um detetive particular. Mais cedo o delegado de polícia James Marshal, veio até meu escritório para pedir a minha ajuda para solucionar um caso de sequestro, mas para isso eu teria de ter um parceiro de dentro da policia. Aceitei as condições dele por estar preocupado com os meninos que desapareceram. O meu "parceiro" é novo na polícia e seu nome é Daniel Almeida. Tenho evitado me aproximar do jovem policial, mas estou começando a pensar que vou precisar começar a contar mais com ele para salvar os garotos. Fomos até a escola onde os meninos foram sequestrados e não encontramos muita coisa. Achei uma mensagem que estava no armário dos 4 meninos que dizia "Ela voltou. Precisamos nos encontrar na Batcaverna.". Fui até a casa dos pais de cada um dos meninos, mas eles não quiseram contar muita coisa. Estavam com medo de alguma coisa. Apenas os pais de Carl, um dos sequestrados, contaram que eles receberam uma carta que ordenava que eles não contassem nada para a policia, ou haveriam consequências. O sequestrador tem informantes na policia. Isso é preocupante, mas a prioridade é encontrar os meninos. Encontrei no quarto de Carl uma foto dele e outos 7 colegas, um deles sendo uma menina, em frente uma caverna. Por sorte eu conheço a caverna e agora, eu e Daniel estamos indo para lá.

- Detetive?-perguntou Daniel.
- Sim?
-  Se você não se importa de eu perguntar, o que você contou sobre a sua filha, é verdade mesmo, ou vou só o disse para que eles abrissem o bico?
- Depende...
- Depende do que?
- Depende do que você ouviu sobre mim lá na delegacia. O que os meus ex-colegas de trabalho falaram sobre mim?
- Bom,-ele hesita- não falaram muita coisa...
- Há, eu imagino. Não, Jessie não era a minha filha, mas eu a considerava como tal.
- Mas o que aconteceu com ela?
- Bom, -as palavras travam na minha garganta- vamos manter foco na nossa presente situação.

Ele concorda e para de perguntar sobre o assunto. Deve ter percebido que esse é um assunto delicado para mim. Meu Deus, cada vez mais percebo o quanto esse garoto é parecido comigo. Jimmy sempre estava focado com os casos e eu sempre perdia o meu tempo pensando em detalhes. "Detalhes são importantes" ele sempre dizia, "mas não deixe que eles te tirem a atenção do que realmente importa". Droga. Será que algum dia você irá me perdoar Jimmy?

Chegamos até o bosque, Daniel sai do carro com a arma em punho e pronto para ação.

- Onde você acha que estamos indo garoto?
- Não é na caverna onde os meninos estão? -disse ele com um tom de indignação- Afinal, eles foram vistos indo juntos para o bosque.
- Você está se esquecendo da carta que acabamos de ler? Sim, eles foram para o bosque juntos e, provavelmente, foram sequestrado lá! A carta prova que foi um sequestro. Estamos aqui para procurar pistas, não prender o culpado.
- Certo, -disse ele colocando a sua arma de volta no coldre- me desculpe.

Nota mental: Daniel está começando a ficar ansioso demais.Vou precisar tomar cuidado para que ele não estrague tudo.

No momento em que entramos no bosque, o sol já se preparava para se pôr. Tentamos avançar o mais rápido possível. Depois de 15 minutos de caminhada, conseguimos chegar na caverna. A luz do dia já está enfraquecendo, preciso usar a minha lanterna. Ao olhar dentro da caverna, vejo que os meninos construíram uma espécie de cabana dentro dela. Esperto. Daniel permanece em silêncio, mas eu posso ouvir a sua respiração ofegante logo atrás de mim. Ao abrir lentamente a porta da cabana, a porta range, e esse rangido ecoa pela caverna. Assim que entro, percebo que a cabana está completamente bagunçada, ou melhor, revirada. Alguém esteve aqui antes de nós, e eu tenho quase certeza de que não foram os meninos que fizeram essa bagunça. A cabana é pequena, mas tem as típicas características de uma casa na árvore. Havia alguns armários, uma mesa de centro e algumas prateleiras. A mesa de centro estava coberta de papéis, os armários estavam abertos e vazios e nas prateleiras estavam colocadas algumas velas, que a muito tempo se apagaram. Começo a olhar os papéis que estão sobre a mesa e encontro algumas cartas e anotações. Algumas anotações são sobre lições de casa que eles compartilhavam, nada demais. Porém, ao prestar atenção a um papel que está mais desgastado e surrado...

-AAAAAAAHHHHHHH

Em um movimento rápido, me viro para trás com a minha arma em punho só para ver Daniel encolhido na porta de entrada.

- O que foi? -pergunto desesperado- O que você encontrou?
- E-eu acho que eu vi um rato.
- Ah, pelo amor de Deus!!-começo a gritar com o garoto novamente- Você é um policial, não é? Aja como tal!! Se você atrapalhar o meu raciocínio de novo só porque você está com medo de um "rato", você vai se arrepender! Isso é uma investigação séria!
- Entendido.- disse ele abaixando a cabeça- Vou tentar não atrapalhar.
- Ótimo!

Nota mental: Tentar não socar seu "parceiro" mais tarde.

Voltando a minha atenção ao papel surrado, eu encontro o nome dos meninos que foram sequestrados e de outros quatro nomes. Um deles, é um nome de menina. Interessante. Os nomes são, Gabriel Frieh, Klaus Hauser, Bob Parker e Jean Coldie. Com toda a certeza, cada um desses nomes pode ser ligado a cada um dos meninos que estão na foto que consegui com os pais de Carl Kraven. Essas oito crianças dividem uma história e eu tenho quase certeza que essa história está diretamente ligada ao sequestro.

- Daniel, guarde esse papel no seu casaco. -disse para ele entregando o papel em suas mãos- Acredito que possamos precisar disso mais tarde.
- C-claro, mas o que que tem nele?-perguntou em curiosidade.
- Nomes, somente nomes.
- OK. Quer que eu ajude você a procurar mais coisas?
- NÃO! -gritei, antes de conseguir retomar o controle de mim mesmo- Quer dizer, é melhor não. Não quero que você me assuste de novo por causa de um "rato". Fique ai, na entrada da porta iluminando a cabana, tudo bem?
- Sem problema!-ele tenta disfarçar, mas eu percebo o sorriso de alivio em seu rosto.

Começo a vasculhar a bagunçada cabana novamente atrás de qualquer coisa que possa ser útil. Encontro algo que não esperava ver. Capsulas. Três capsulas de munição de uma pistola 9mm. Reparando no chão, começo a procurar e encontro, uma mancha de sangue. Merda, alguém foi baleado, e eu duvido muito que tenha sido o sequestrador. Uma marca de impacto de disparo se encontra perto da mancha (talvez isso seja bom, pelo menos a bala atravessou direto, não ficou alojado no corpo de quem foi baleado), mas as outras duas se encontram relativamente distantes do disparo que está junto com o sangue. Nota mental: Talvez o sequestrador tenha usado dois disparos para intimidar e o terceiro para demonstrar que estava falando sério. Quem quer que seja, estava planejando isso há um tempo. Também perto, da mancha de sangue, encontro outro papel, um carta feita com recortes de revistas e a seguinte mensagem:
  "Eu não me esqueci do que aconteceu. Vocês fugiram e não fizeram o que precisava ser feito. Aquele sangue inocente, também está nas mãos de vocês. Já está mais do que na hora de fazer com que vocês paguem pelos seus pecados."
 Droga. Esses meninos foram ameaçados. Por isso que eles combinaram de se encontrar aqui. Para discutir o que eles devia fazer sobre essa ameaça. O sequestrador conhecia esses garotos, e isso coloca a vida das outras crianças que estavam na lista do "clube" em perigo também!

- AAAAAAHHHHHH
- Que droga Daniel,- disse enquanto me virava lentamente- o que eu...

Ao me virar, vejo uma figura alta, vestida de preto, usando um capacete de cor vermelha vibrante e com um taco de beisebol de metal em sua mão esquerda. Daniel está no chão, inconsciente. Eu não penso duas vezes e saco a minha arma, mas também saca a dele.
*BANG* *BANG*
Eu acerto o peito dele e ele acerta meu ombro direito. O problema é que, diferentemente dele, eu não estou usando colete a prova de balas. A dor é angustiante. Perco o equilíbrio por alguns instantes e esses instantes são o suficiente para que o meliante se aproxime de mim e comece a me surrar com o taco de metal. Pancada após pancada, a dor aumenta e sinto que meus ossos começam a quebrar. Um por um. Por algum motivo, ele concentra o seus golpes em meu torso, evitando acertar a minha cabeça. Ainda assim, a dor é devastadora,  mas eu não vou gritar de dor, não vou deixar que ele tenha o gosto de sentir o meu desespero. Eu não vou gritar.

- Grite, detetive, grite de dor!- disse o agressor com sua voz abafada pelo capacete- GRITE!!

Com o pouco de força que ainda tenho no meu corpo, só consigo dizer “Nunca!”. Ao ouvir isso, ele parece dar risada. Ele dá um único golpe na minha cabeça e eu começo a sentir que logo vou perder a consciência. Antes de tudo ficar preto, eu ouço o criminoso dizer “Eu esperava mais de você”.