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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Detetive Brown: Era uma vez ( Parte 6)

(Por favor, leia a parte 5)

Tudo escuro, sinto uma dor agonizante, estou sofrendo com um calor que parece infernal. Será que eu morri? Não lembro de muita coisa. A única coisa em que consigo pensar é em como eu te decepcionei, meu amor. Tenho a sua morte em minha consciência. Se eu tivesse tomado o devido cuidado, talvez você ainda estivesse viva. Você, a Jessie e Jimmy. Tudo culpa minha. Seja lá o que eu esteja prestes a sofrer, eu o mereço.

*COUGH* *COUGH*

Tosse? Uma tosse? Como isso é possível se eu estou... Eu não estou morto, m-mas o que foi que aconteceu?

E-eu me lembro de estar investigando um caso de... de... de sequestro. Quatro meninos foram sequestrados e algumas pistas nos levaram até uma... uma... uma cabana que foi construída dentro de uma caverna que fica no bosque perto da escola de onde alguns meninos foram sequestrados. Eu estava procurando pistas na cabana quando Daniel foi nocauteado pelo... pelo.. pelo possível culpado do sequestro! Meus Deus, este calor que estou sentindo... o maldito colocou fogo na cabana!

*COUGH*  *COUGH*

Ainda estou sentindo muita dor... Acho que quebrei algumas costelas.

-AAAAAAARHG!

A bala que ele disparou... Está alojada em meu braço direito... Seria tão mais fácil desistir, fazer com que a dor acabe de vez...

*COUGH* *COUGH*

Daniel... Não, eu não posso desistir! Pense no seu parceiro, pense nas crianças, pense nas vidas que dependem de você... Você não vai morrer enquanto não consertar os seus erros... Oh, meu amor, por favor, me perdoe! Deus, se você pode me ouvir, me dê força para lutar!

Lutando contra a dor, finalmente eu consigo abrir os meus olhos. Mal consigo mante-los abertos. A dor e a fumaça dificultam as coisas. Vejo que o fogo se espalhou por toda a parte frontal da cabana. Pelo jeito, o bastardo colocou fogo na parte de fora da cabana. Olho no chão e vejo Daniel desmaiado no chão. A porta de saída está envolta em chamas e a cabana não possui janelas. Pense Brown, pense... Minha arma!

Ainda bem que o meliante não pensou em leva-la também. Olho em meu cinto e vejo que ainda estou com meus cartuchos de munição.  Dois cartuchos com nove balas e mais oito balas carregadas na minha arma. Acho que é o suficiente. Aponto a arma para a parede dos fundos da cabana. Disparo após disparo, fica mais difícil ficar em pé. O fogo está aumentando. Não vai dar tempo. Depois de 13 disparos tenho de ser o mais rápido possível. A dor piora a cada segundo, mal me aguento em pé... Não vou conseguir.

*COUGH* *COUGH*

Não, não posso pensar assim. Vamos lá! Começo a chutar a área em que direcionei os meus disparos, na tentativa de fazer a nossa porta de saída. O fogo está aumentando, estou ficando sem tempo e a cada chute os meus músculos se retraem em sofrimento.

-EU NÃO VOU MORRER HOJE!! - com todo o ar dentro dos meus pulmões, grito – NÃO VOU MORRER ENQUANTO NÃO CONSERTAR TUDO!

Finalmente, o meu esforço vale a pena e a parede cede. Com a entrada repentina de oxigênio, o fogo aumenta e me envolve por alguns momentos. “Estou livre!”, penso, mas então me lembro que Daniel está la dentro ainda. Merda! O meus corpo está exaurido de forças, mas eu preciso voltar. Meu instinto diz para fugir, mas eu não vou deixar meu parceiro morrer. Não de novo. Consigo coloca-lo em minhas costas e carrega-lo fora da cabana e da caverna.

Fora da caverna e de perigo, não tenho mais forças para coloca-lo gentilmente no chão. Eu simplesmente o tiro das minhas costa e o jogo no chão. Não me aguento mais em pé. Despenco no chão. Sinto que vou desmaiar, mas preciso fazer mais uma coisa antes disso acontecer.

- Alô?
- Marshall, aqui é Brown.
- Adam? O que aconteceu? A sua voz está estranha...
- N-não tenho tempo... Por favor, venha até o bosque que fica em frente a escola em que os meninos foram sequestrados.. Eu... Eu... Estou na caverna do...
- Adam? Adam, que caverna?! ADAM!...

A voz dele está ficando cada vez mais baixa conforme fecho meus olhos. Acho que esse é o fim.


...


Ouço o som de um "bip", parece o som de um monitor cardíaco. Sinto dor em todo meu corpo, mas é uma dor suportável. Ha, eu estou vivo! Pelo jeito, ainda tenho coisas a fazer por aqui. Abro os meus olhos aos pouco e vejo que estou em um hospital. Por alguma razão, Daniel está sentado em uma cadeira no canto esquerdo do quarto.

- O que você está fazendo aqui? -perguntei com minha voz ainda trêmula.
- Hehe, olha só que acordou! - abriu-se um sorriso em seu rosto- Como você está se sentindo?
- Você não respondeu minha pergunta. O que você está fazendo aqui?
- Bom, na verdade...

No momento em que ele iria me responder, Marshal entra no quarto.

- Adam! - o alívio em seus olhos era visível- Santo Deus, como você está se sentindo?
- Marshal, o que o Daniel está fazendo aqui? -insisti na pergunta.
- O garoto estava aqui esperando q você acordasse.
- Desnecessário, Marshal! Eu estou...

*COUGH* *COUGH*

- Estou bem.- finalizei.
- Adam, você está nesse hospital a uma semana. -disse Daniel.
- O QUE?! -me surpreendi- E os garotos, vocês encontraram-os? O que vocês...
- Acalme-se Adam. Estamos investigando, infelizmente, não conseguimos encontra-los ainda, mas estamos fazendo todo o possível.- disse Marshal com serenidade- Já conversei com o Daniel para ver se vocês tinham achado alguma coisa de importante... Infelizmente, como não encontraram nada, estou tentando resolver o caso da maneira que posso.

Olho para o Daniel, e percebo que ele está um tanto quanto inquieto. Volto meu olhar para Marshall e digo "Bom, acho que os meninos merecem mais a sua atenção do que eu.", ele ri e vai embora. Assim que ele deixa o quarto, viro-me para meu "parceiro".

- Presumo que tenha encontrado a lista que estava em minha jaqueta, mas decidiu não contar nada para Marshall. Por quê?- indaguei em tom irônico.
- B-bom, como tínhamos suspeitas de que tem alguém da policia envolvido, eu achei melhor não contar...
- Você escondeu informação de seu superior?
- M-mas...
- Ha, eu estou brincando com você garoto, eu fiz isso mais vezes do que você pode imaginar. Você chegou a investigar alguma coisa?
- Sim, eu pude averiguar que...
- Não me conte agora. Quero que junte tudo que pesquisou e traga em arquivos para meu escritório. Vamos voltar a investigar.
- Mas, - com uma cara assustada- você não pode sair do hospital! O médico não vai te liberar!
- Deixe que eu me viro. Vá, e leve os arquivos pro meu escritório.

Desistindo de discutir, Daniel parte em busca dos arquivos. Chamo o médico, e depois de discutir bastante, e assinar os documentos necessários, ele finalmente me libera. Não sei se os meninos ainda estão vivos, mas se por um acaso ainda existir esperança, não vou desistir. Essa busca, chegara ao fim!

(A conclusão se aproxima no próximo capitulo...)