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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Discussão Aberta: Ódio incondicional

"Eu te odeio. Não sei o porquê, mas te odeio. Talvez seja pela sua etnia, ou pela suas crenças. Quem sabe seja pela sua opção sexual, ou sua origem. Na verdade, isso tudo não importa. O que de fato é importante é que eu te odeio, e vou sempre te odiar com todas as forças do meu ser."

Mesmo que com palavras diferentes das citadas acima (e nas mais diversas situações), esse tipo de declaração é o que eu mais tenho visto. Seja nas redes sociais, no transporte publico, na televisão... Não importa como, mas essa mensagem de ódio tem se espalhado de maneira assustadora... Ou pelo menos eu pensava que ela estava apenas "se espalhando".

Se você prestar atenção a todas as situações que estão a sua volta, aos poucos você começa a identificar "padrões", onde determinada circunstância (seja ela uma atitude, uma frase de efeito, um comportamento) se repete.

A primeira vez que identifiquei padrão de comportamento de ódio foi em minha vida. Percebi que tratava um determinado grupo de pessoas de uma maneira diferente. Minha primeira ação foi justificar minha maneira de agir. "Eu evito conversar com esse tipo de pessoa porque eu não concordo com o tipo de vida que elas levam." e no primeiro momento, essa justificativa foi mais do que suficiente para mim mesmo. E na minha mente estava tudo bem, tudo certo e tudo tranquilo.

Em um belo dia, eu fui abordado por uma pessoa que estava no grupo de pessoas que eu tratava de maneira diferente. "Por quê você é sempre grosso comigo? Eu fiz alguma coisa para você?  Falei algo que te deixou chateado?" disse a pessoa. Eu, inconformado com a pergunta respondi "O que? Eu não sou grosso com você. Eu só não converso muito com você porque não temos nada em comum!", em resposta, a pessoa consentiu e foi fazer outras coisas. No momento do ocorrido, pensei comigo mesmo: tudo está bem e tranquilo, sem problema algum.

Mais tarde, naquele mesmo dia, ao fazer minhas preces, agradeci meu Deus por ele me amar incondicionalmente. Incondicionalmente... Eu não entendi, mas comecei a sentir um aperto no coração, uma tristeza e uma solidão enorme... Por que eu me sentia assim? Qual seria a razão de tamanha tristeza em meu coração... Foi nesse momento que eu percebi o que eu estava fazendo. Percebi que não estava vivendo de acordo com o amor incondicional que Deus tem por mim. Eu era amado, mas não amava.

Entenda, não estou falando de sentimentos. Estou falando de decisão. Eu havia decidido não amar um determinado grupo de pessoas. Sim, eu continuo não concordando com a maneira de pensar daquele grupo de pessoas, mas seria esse motivo suficiente para - de fato - escolher odiar?

Por mais que me doa pensar, era exatamente isso que eu estava fazendo. Eu odiava aquelas pessoas. Eu odiava ateus. Podem me chamar de frouxo, sentimental, idiota ou o que quiser, mas eu chorei muito por causa disso. Desde o momento em que eu me conheço por gente, meus pais me ensinaram a importância de amar ao próximo e conforme eu cresci e estudava a bíblia, percebia a importância do amor. O problema é que conforme eu cresci, eu também comecei a criar exceções para quem eu deveria amar, sem perceber que estava escolhendo odiar certos grupos de pessoas.

E isso me doeu tanto... Depois de pedir perdão a Deus, no dia seguinte fui falar com aquela pessoa. Fiz questão de pedir perdão por meu comportamento e fiz questão de frisar que eu mudaria meu comportamento. Conversei com ela por um bom tempo e percebi que mesmo que ela não compartilhasse a minha fé, isso não tornava ela uma pessoa menos interessante.

Ela tinha suas manias e hábitos (muitos deles cujo eu ainda não concordo), mas eu não deixei de conversar com ela. Eu não precisava fazer o que ela fazia, não precisava ir onde ela ia e não precisava pensar da mesma forma que ela, mesmo assim, por conta da minha mudança de atitude virei seu amigo para momentos de dificuldades. Todas as barreiras que tinham se erguido entre nós foram destruídas e demolidas. Tudo isso por conta de uma decisão: amar. (Mateus 22: 34-40)

Talvez você leia isso pense que estou sendo utópico. "É impossível amar todo mundo! Isso não existe!". Se você quer que eu te responda e demonstre através de números e coisas mensuráveis, eu sinto muito. Gostaria de poder mostrar isso por meio de coisas tangíveis, mas não sei como. Tudo que posso fazer é contar minha experiencia do assunto e como isso afetou meu dia a dia.

Essa foi a minha decisão. Ir além do ódio, derrubar as barreiras, amar incondicionalmente. Não sei se outros conseguirão ver da mesma forma, mas tudo quero é que o amor se espalhe. Espalhe até o ponto onde a seguinte frase esteja em todos os lugares:

"Eu te amo. Não preciso de um motivo para isso. Não importa a sua etnia, ou suas crenças. Nem sua opção sexual, ou sua origem. Na verdade, o que de fato é importante é que eu te amo, e vou sempre te amar com todas as forças do meu ser."

Be Blessed