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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Discussão Aberta: Ódio incondicional

"Eu te odeio. Não sei o porquê, mas te odeio. Talvez seja pela sua etnia, ou pela suas crenças. Quem sabe seja pela sua opção sexual, ou sua origem. Na verdade, isso tudo não importa. O que de fato é importante é que eu te odeio, e vou sempre te odiar com todas as forças do meu ser."

Mesmo que com palavras diferentes das citadas acima (e nas mais diversas situações), esse tipo de declaração é o que eu mais tenho visto. Seja nas redes sociais, no transporte publico, na televisão... Não importa como, mas essa mensagem de ódio tem se espalhado de maneira assustadora... Ou pelo menos eu pensava que ela estava apenas "se espalhando".

Se você prestar atenção a todas as situações que estão a sua volta, aos poucos você começa a identificar "padrões", onde determinada circunstância (seja ela uma atitude, uma frase de efeito, um comportamento) se repete.

A primeira vez que identifiquei padrão de comportamento de ódio foi em minha vida. Percebi que tratava um determinado grupo de pessoas de uma maneira diferente. Minha primeira ação foi justificar minha maneira de agir. "Eu evito conversar com esse tipo de pessoa porque eu não concordo com o tipo de vida que elas levam." e no primeiro momento, essa justificativa foi mais do que suficiente para mim mesmo. E na minha mente estava tudo bem, tudo certo e tudo tranquilo.

Em um belo dia, eu fui abordado por uma pessoa que estava no grupo de pessoas que eu tratava de maneira diferente. "Por quê você é sempre grosso comigo? Eu fiz alguma coisa para você?  Falei algo que te deixou chateado?" disse a pessoa. Eu, inconformado com a pergunta respondi "O que? Eu não sou grosso com você. Eu só não converso muito com você porque não temos nada em comum!", em resposta, a pessoa consentiu e foi fazer outras coisas. No momento do ocorrido, pensei comigo mesmo: tudo está bem e tranquilo, sem problema algum.

Mais tarde, naquele mesmo dia, ao fazer minhas preces, agradeci meu Deus por ele me amar incondicionalmente. Incondicionalmente... Eu não entendi, mas comecei a sentir um aperto no coração, uma tristeza e uma solidão enorme... Por que eu me sentia assim? Qual seria a razão de tamanha tristeza em meu coração... Foi nesse momento que eu percebi o que eu estava fazendo. Percebi que não estava vivendo de acordo com o amor incondicional que Deus tem por mim. Eu era amado, mas não amava.

Entenda, não estou falando de sentimentos. Estou falando de decisão. Eu havia decidido não amar um determinado grupo de pessoas. Sim, eu continuo não concordando com a maneira de pensar daquele grupo de pessoas, mas seria esse motivo suficiente para - de fato - escolher odiar?

Por mais que me doa pensar, era exatamente isso que eu estava fazendo. Eu odiava aquelas pessoas. Eu odiava ateus. Podem me chamar de frouxo, sentimental, idiota ou o que quiser, mas eu chorei muito por causa disso. Desde o momento em que eu me conheço por gente, meus pais me ensinaram a importância de amar ao próximo e conforme eu cresci e estudava a bíblia, percebia a importância do amor. O problema é que conforme eu cresci, eu também comecei a criar exceções para quem eu deveria amar, sem perceber que estava escolhendo odiar certos grupos de pessoas.

E isso me doeu tanto... Depois de pedir perdão a Deus, no dia seguinte fui falar com aquela pessoa. Fiz questão de pedir perdão por meu comportamento e fiz questão de frisar que eu mudaria meu comportamento. Conversei com ela por um bom tempo e percebi que mesmo que ela não compartilhasse a minha fé, isso não tornava ela uma pessoa menos interessante.

Ela tinha suas manias e hábitos (muitos deles cujo eu ainda não concordo), mas eu não deixei de conversar com ela. Eu não precisava fazer o que ela fazia, não precisava ir onde ela ia e não precisava pensar da mesma forma que ela, mesmo assim, por conta da minha mudança de atitude virei seu amigo para momentos de dificuldades. Todas as barreiras que tinham se erguido entre nós foram destruídas e demolidas. Tudo isso por conta de uma decisão: amar. (Mateus 22: 34-40)

Talvez você leia isso pense que estou sendo utópico. "É impossível amar todo mundo! Isso não existe!". Se você quer que eu te responda e demonstre através de números e coisas mensuráveis, eu sinto muito. Gostaria de poder mostrar isso por meio de coisas tangíveis, mas não sei como. Tudo que posso fazer é contar minha experiencia do assunto e como isso afetou meu dia a dia.

Essa foi a minha decisão. Ir além do ódio, derrubar as barreiras, amar incondicionalmente. Não sei se outros conseguirão ver da mesma forma, mas tudo quero é que o amor se espalhe. Espalhe até o ponto onde a seguinte frase esteja em todos os lugares:

"Eu te amo. Não preciso de um motivo para isso. Não importa a sua etnia, ou suas crenças. Nem sua opção sexual, ou sua origem. Na verdade, o que de fato é importante é que eu te amo, e vou sempre te amar com todas as forças do meu ser."

Be Blessed

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Qual o verdadeiro valor de uma amizade?


Amizades. Ah, belas, ricas e poderosas amizades. Podemos esquecer disso as vezes, mas nossos amigos são parte essencial de nossas vidas. Eu já falei sobre amizade aqui no blog, mas acho que não consegui expressar o tamanho da importância de um amigo.

Todos nós passamos por situações difíceis e perturbadoras. Sofremos, choramos, perdemos e nos sentimos muito mal, mas apesar disso, temos pessoas em nossas vidas que nos ajudam não desistem de nós e nem de nos ajudar. Algumas dessas pessoas são da nossa família, mas e aquele que não são da nossa família? E aqueles que não tem nenhuma obrigação para conosco, mas ainda assim, fazem de tudo para nos ajudar? Esse é o amigo.

Pare e pense um pouco nisso: podemos dizer que seus irmãos e familiares tem uma obrigação de te ajudar (afinal, vocês estão ligados pelo mesmo sangue) e se não te ajudam, serão mau vistos por conta disso. Um amigo, por outro lado, se tiver um motivo realmente justo, não será condenado por não ajudar. Enquanto uma família está presa a obrigação, o amigo está livre da responsabilidade de fazer mais do que ele necessita.

Não estou falando de romantismo, mas quando um amigo, faz algo por você, sendo que ele teria justificativas para não se envolver, ele está demonstrando o quanto ele te ama. E o amor é muito mais do que uma simples paixão, é um comprometimento a um relacionamento sincero e puro.

Este é o poder da amizade. O poder de ajudar alguém, sem ser obrigado a isso, o poder de amar de verdade, sem nenhum defeito.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Canal no YouTube: Em minha mente, um mundo diferente!!

Olá pessoas, tudo bem?

Não sei se vocês sabem mas o nosso blog tem um canal oficial no YouTube. Assim como aqui na página do blog, a ideia do canal é propor uma reflexão e discussão saudável. 

Já temos dois videos. Um deles é o Sugestão do leitor que são videos onde vou falar sobre temas sugeridos por vocês (o Gustavo Farias deu a sugestão para o primeiro video).  O outro se chama Mindset que tem como ideia falar sobre coisas do dia a dia que são interessante e/ou necessárias de se pensar.

Esses são os videos: 
Mindset

Sugestão do Leitor

É isso galera. Logo mais teremos novidades, espero que gostem dos videos :D

Be Blessed.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Discussão Aberta: A industria do "Sim" forçado.

Acho que não tem porque ficar mais esperando para falar alguma coisa, não é?

Galera, estupro é qualquer ato sexual não consensual. Ponto. Não importa se as pessoas envolvidas podem ser consideradas "safadas", se não houve consenso antes do ato, É ESTUPRO!

Esse é um dos problemas de se "endeusar" o sexo. Quando você categoriza algo como "o prazer máximo" ou "a melhor sensação do mundo", as pessoas farão de tudo para atingir isso.

Na música Easier than Love da banda Switchfoot, resume bem o o ato realmente representa para nossa sociedade. Dinheiro. Assim como o vício em cigarros, álcool, games e tantas outras coisas, esse é um vício extremamente lucrativo. Deem uma olhada nessa notícia do isto é falando sobre o assunto (clique aqui). É absurdo!

"Entendi Daniel, você se sente incomodado com a industria e o dinheiro que ela ganha, mas o que isso tem a ver com estupro?", a industria só quer vender. Não importa como, ela quer vender, então para conseguir comercializar esse "produto", o sexo deixou de ser uma coisa intima e pessoal para virar apenas uma "atividade". Junte isso, com a objetificação da mulher e do homem (sim, o homem também é objetificado) e você tem a fórmula para o desaste.

Sim, eu sei que o estupro já acontecia muito antes de nossa sociedade moderna, mas não da para negar que as coisas mudaram. Existem pessoas(ou melhor, monstros) que apoiam essa prática e acham "bacana". Sim, o estupro já existe há muito tempo, mas antes as pessoas reconheciam como algo repugnante, horroroso e um verdadeiro crime. Hoje em dia, o estupro virou culpa da vítima, não do agressor.

Não importa o quão "safado" seja o histórico da vítima, ninguém merece ser estuprado.

Talvez devêssemos tomar uma medida parecida com a do estado da Californa - EUA. "Yes means yes" é uma lei que basicamente diz "se não há consenso claro para o ato sexual, o mesmo não deve ocorrer. Se ocorrer, será considerado crime!"

Se você acha que estou exagerando em relação a industria do sexo, tudo bem. De qualquer forma, acredito que quanto mais essa industria crescer e nossas atitudes se manterem da mesma forma, teremos cada vez mais vitimas com cicatrizes profundas e monstros escapando sem sofrer consequências de seus atos.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Apenas um conto: O pior crime. (Sugestão do Leitor)

Antes de mais nada, gostaria de agradecer a contribuição do nosso leitor Gustavo Farias, que sugeriu o tema que será abordado logo abaixo. Teremos também um vídeo sobre o tema no Youtube, que será postado no dia 20/05/2016. O tema sugerido foi: traição! 

Para melhor aproveitamento do texto, aconselho ouvir este som enquanto fizer a leitura. :)

Boa leitura.
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É sábado de um feriado prolongado. As 6 horas da manhã, ruas estão vazias, chuva cai e faz frio. Muito frio. A temperatura é de 10ºC, com sensação térmica de 8ºC. As pessoas estão em suas casas. Algumas debaixo de suas cobertas, dormindo confortavelmente, outras deitadas na frente da televisão de sua sala, enroladas em um cobertor, tomando um chocolate quente enquanto assistem o final da temporada de seu seriado favorito. Afinal, quem teria coragem de sair de casa em um tempo desse? Eu conheço alguém que faria essa loucura.

Seu nome é Cesar Melo e ele está a correr pelas ruas. Ele sempre gostou de correr, ajuda a pensar. "O som da chuva caindo no asfalto é reconfortante", ele pensa. "Não consigo me lembrar da ultima vez que sai de casa e só ouvir o som da chuva...", ele para e começa a olhar ao seu redor por uns instantes. Cesar está sozinho, não há nenhuma alma sequer por perto. Sorrindo levemente, retoma o ritmo da corrida.

O que leva uma pessoa em sã consciência a correr em meio a uma chuva e um dia frio de um feriado prolongado? Simples, um objetivo, um destino, uma jornada. Cesar não está correndo para ficar em forma, ele corre para encontrar algo. Mas o que poderia ser encontrado em meio a chuva em uma manhã fria? É provável que ele esteja procurando no lugar errado, talvez ele já saiba que não ira encontrar o que precisa em uma corrida em meio a chuva, mas não se importa. Não, ele não se importa, tudo que quer é ficar sozinho, disso ele tem certeza.

A chuva não para e Cesar não diminui o ritmo. Sem muitos pensamentos em sua mente, ele só presta atenção do barulho da chuva ao cair no asfalto. A cada gota que cai, ele pensa menos no porque está fazendo isso. O passo não diminui, e ele segue em frente. Sua mente se esvazia e ele deixa de pensar no caminho que esta fazendo. Seu coração bate no ritmo dos relâmpagos e trovões, Cesar não sente nada. Não sente frio, não sente calor, não sente solidão e nem nada. Ele acredita ter encontrado o ambiente que tanto procurava. Então, em um momento de descuido, ele pisa em falso, tropeça e cai. "ARGH, mas que merda!!", grita ao olhar para seu joelho e perceber que caiu em caco de vidro, e um grande corte foi aberto. Ele vê sangue. "Droga, mas que perfeito... Agora preciso voltar para casa e fechar isso aqui... Mas, espera.... Onde é que eu fui parar agora?". Cesar foi para um lugar que não faz a menor ideia de onde seja. Sem muitas opções, ele se esforça ao máximo para levantar e procurar algum estabelecimento aberto em que possa encontrar ajuda.

A cada passo que ele dá, a dor se intensifica. Ele percebe que a ferida em sua perna é mais profunda do que parecia, mas sabe que não pode parar. "Se ao menos eu soubesse para qual direção ir...", ele está mais perdido que nunca. Toda a serenidade que ele pensou ter encontrado são substituídos por dor, angustia e ansiedade. Justamente os sentimentos que tanto buscava fugir. "Não aguento mais, não consigo sentir a minha perna... Vou ter de me sentar e fazer um torniquete antes eu sangre até a morte.". Assim, se senta, tira a camisa que está usando por debaixo do seu encharcado moletom e amarra a mesma em sua ferida da melhor forma que consegue. O problema, é que ele que não tem mais nenhuma força para levantar e continuar. Tentou uma, duas, três vezes... faz o possível para ficar em pé, mas não consegue. Finalmente, ele para. Olhando a sua volta, compreendendo a situação em que se encontra, ele desiste e se derrama em lagrimas que se misturam com a chuva que cai em seu rosto.

"Não acredito que isso está acontecendo... Eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo, mas não é possível que eu mereça morrer desse jeito...", diz aos prantos enquanto olha para os céus, "Por favor, se alguém ai em cima pode me ouvir, me de mais uma chance! É tudo que peço!!" e ali permanece. Imóvel, como se estivesse esperando alguma intervenção divina, ao poucos, ele fecha seus olhos e adormece. A cada momento que se passa, seu corpo vai ficando cada vez mais frio e sua mente começa a passear por suas lembranças, como se fossem sonhos a serem revividos. Ele se lembra do dia em que seus pais ajudaram a iniciar seus estudos na linguá inglesa, da noite que não conseguiu dormir depois de assistir um filme de terror, do momento em que deu seu primeiro beijo... Ah sim, esse é um momento no qual ele tem ponderado muito ultimamente.

O nome da moça era Valentina Kowalski, ambos tinham 17 anos na época, e até onde Cesar se recorda, ela era muito bonita. Não que ele se importasse muito com isso, afinal, havia se apaixonado por sua melhor amiga, não por uma desconhecida. Eles pareciam feitos um para o outro: gostavam das mesmas musicas, tinham a mesma base de pensamento sobre a cultura da sociedade, sabiam conversar sobre os problemas antes de brigar, enfim, tudo era perfeito. Quando estavam um mês de completar 4 anos de namoro, Cesar recebeu uma oportunidade unica de trabalho: ele seria o apresentador do seu próprio programa de TV.

Os dois comemoraram e festejaram porquê, finalmente, teriam o dinheiro para se casar e constituir a família que tanto sonharam. Alguns meses se passaram, e as coisas foram ficando cada vez mais estranhas. Cesar, não lembra muito bem do que aconteceu, apenas se lembra da Valentina dizendo que ele estava cada vez mais distante e cada vez mais irreconhecível . E no aniversário de 5 anos de namoro, ela terminou com ele. Disse que não aguentava mais viver assim e que Cesar era um insensível. Só de lembrar desse dia, o coração dele dói, e como dói.

Já se passaram mais de 8 anos e tudo o que ele carrega consigo, é o sentimento de tristeza e rancor. Com o tempo, ele aprendeu a conviver com o sentimento e seguiu com a sua vida. "Se eu tivesse a chance...", é tudo que pensa enquanto lembra de Valentina " Eu ia mostrar pra ela quem é o insensível". 


Então, Cesar percebe que não está mais com frio, não está mais sentindo o sangue pulsar para fora de sua perna e nem sente a chuva a cair em seu rosto. Aos poucos, consegue recobrar a sua consciência para se dar conta que está em uma cama de hospital, recebendo tratamento. "Como foi que eu..." pensa antes de ser interrompido por uma voz muito familiar, "Sei que faz muito tempo que não nos falamos, mas poderia me dizer o que estava fazendo na rua com um tremendo corte em sua perna?". Ele reconhece o rosto, mas não consegue pensar em nada para dizer, depois de gaguejar por alguns segundos, só consegue dizer "Val? É... É você mesma?", com uma expressão de surpresa. "Sim Cesar, ", responde com um olhar de preocupação "Sou eu mesma. Agora, você vai me explicar o que estava fazendo na rua, sangrando, hoje de manhã?". "Eu... precisava de um tempo para pensar..." responde ,"Mas me diz, como foi que eu vim parar aqui?", "Bom, meu turno aqui no hospital tinha acabado e eu estava voltando para casa quando me deparei com o que eu pensei que era um mendigo ensanguentado." Valentina responde, "Desci do carro para ajudar e quando me dei conta de que era você... Fiquei assustada... De qualquer maneira, eu te trouxe aqui e estava esperando para ver se você apresentava algum sinal de melhora." concluiu com uma expressão de ternura. Nesse momento, o telefone de Valentina toca e ela se retira da sala para atender a ligação.

"Essa é a minha chance, posso mostrar para ela o quão ela foi grosseira comigo e quanto eu estou bem melhor sem ela!!". Depois de seu termino com Valentina, Cesar, foi mudando seu estilo de vida cada vez mais. Adotou hábitos que não eram seus, passou a acreditar em coisas que não acreditava antes, afastou-se de sua família e, de fato, tornou-se uma pessoa bem diferente do que ele imaginava que seria quando tinha 19 anos. Não que ele não tenha tido outros relacionamentos amorosos (porque teve vários), mas Cesar ainda pensava que sua alma gêmea era a Val e que ela cometeu o pior erro da vida dela. Ele pensou em diversas coisas que gostaria de dizer para fazer com que ela se sentisse humilhada e envergonhada pela decisão dela. Essa era sua chance de mostrar quem estava em "melhor situação".  Pelo menos, era isso que Cesar pensava.

No momento em que Val entra na sala, todos esses pensamentos vão embora. Ele havia se esquecido do que ele fez para ela, sim, ele esqueceu que ele acabou com o mundo dela. Sim, ele esqueceu que usou o dinheiro e fama que tinha para "aproveitar melhor" a vida. Lembrou-se que, na verdade, ele traiu-a, em diversas ocasiões. Na época, Val tentou consertar as coisa, mas chegou a um ponto em que não aguentou mais e terminou com ele. Cesar tinha dinheiro na época do término, e foi nele que afogou, ainda mais, suas "magoas". Pensando melhor no passado, lembrou-se que ele não se importou com o termino. Humilho-a em todas as oportunidades que teve, usou da vergonha dela para trazer mais audiência para seu programa e fez de tudo (até enviar cartas para casa dela) para que ela se sentisse mal por terminar o namoro. Sim, apesar de ter sido enganado por sua própria memória, Cesar lembrou-se do que ele de fato era: um monstro.

Val se aproxima e senta na beira da cama, "Como tem sido a vida de apresentador para você?" pergunta ao sorrir. Ele não sabe o que faz. Todo esse sentimento de culpa começa a perturbar todos os seus pensamentos enquanto ele tenta manter a calma e agir naturalmente, "E...Eu acabei mudando de emissora... Eles p...pagam mais..." sussurra ao tentar conter suas lágrimas e esconder seu rosto atrás de seu travesseiro, "E você? O...  O que fez com a sua vida?".  Ela percebe que tem algo o incomodando, mas prefere tentar seguir com a conversa "Ah, deixa eu ver... Certo, eu me formei em enfermagem, fiz intercambio para o Canadá por 1 ano, aprendi a falar francês e... Acho que só!.... Mentira!", diz como se interrompesse o próprio pensamento, "Eu também ajudei você a não morrer ensanguentado na chuva!", completa com um sorriso. Não há resposta de Cesar. Ele escondeu por completo seu rosto no travesseiro, Val tenta ver ser seus olhos e quando chega mais perto, consegue ouvir "Por quê?". Ela percebe que Cesar está chorando, "O que aconteceu?Você está sentindo alguma dor?" , ela começa a olhar nos aparelhos médicos, " O que houve?, finalmente, ele cria coragem e olha nos olhos de Val e diz "Por quê você me ajudou? E... Eu não merecia essa ajuda... Eu fiz coisas... coisas que jamais deveriam ser feitas a ninguém! E eu ainda tive a coragem de fazer isso com a pessoa que sempre me ajudou e apoiou... A minha melhor amiga... você!", então chora descontroladamente.

Ela fica sem reação por alguns instantes e então senta-se perto o suficiente para abraça-lo. A cada lagrima que escorre pelo rosto de Cesar, é como uma facada no próprio coração dele. Val o mantem em seus braços e diz "Perdão.", Cesar olha em seus olhos, confuso e Val continua, "É isso que você não está conseguindo entender. Sim, você foi um monstro, mas eu te perdoei. Eu teria todos os motivos para te odiar, sim, mas eu preferi te perdoar... Isso é o certo a se fazer.". Tudo que ele consegue fazer é chorar mais. Eles não sabem quant
o tempo passa, mas dessa vez, a cada lágrima, o coração de Cesar fica mais leve. A dor vai se desfazendo, a angústia vai abandonando seus pensamentos. Cesar, está sendo curado de suas próprias emoções danosas.

"V...você realmente me perdoou? Mesmo sem eu ter feito nada para merecer...", Cesar pergunta, mas suas palavras são como uma reflexão dita em voz alta. "Talvez você não se lembre, mas já fizeram isso por você.", Val responde ao abraçar mais apertado, "Na verdade, fizeram isso por mim e por você.... ", a feição dele é de perplexidade, "mas isso é um conversa para outro dia... O importante é que você entenda que eu não te odeio. Eu segui com a minha vida, casei, tenho um filho pequeno... Eu não fiquei presa no passado e acho que é hora de você vir para o presente também". Dizendo isso, ela fica abraçada com Cesar até ele parar de chorar. Quando acaba, Val solta-o, levanta e vai embora, sorrindo para Cesar, mas não diz nenhuma palavra.

Depois de receber alta, ter ligado para um táxi e chegar em casa, ele se senta em sua poltrona e observa a chuva que cai através de sua janela. Ele havia traído a confiança de alguém que o amava de verdade e , mesmo assim, recebeu perdão. Seu pior crime, foi perdoado. Ele sabe que ainda há muito mais para se viver e muito para se consertar, mas ele tem certeza que hoje é o primeiro dia da vida de um homem novo.

Esse é o dia em que o perdão quebrou as cadeias que prendiam o homem bom.


FIM


quinta-feira, 12 de maio de 2016

CAIU!!!!.... Ta legal, mas e agora?

Olá pessoas, tudo bem?

Se você mora no Brasil, com certeza tem acompanhado o processo de Impeachment da Presidente Dilma. Eu já falei um pouco sobre o assunto aqui e aqui, mas gostaria de elaborar um pouco mais sobre o assunto de politica no texto de hoje.

Antes de mais nada, não me identifico com os partidos, denominados como de "esquerda" e muito menos com os partidos, definidos como de "direita". A verdade é que ambos tem seus problemas, e isso é inegável. Sim, sou a favor do afastamento da presidente Dilma, mas não sou a favor da posse de Temer. "Mas a presidente não cometeu nenhum crime de responsabilidade, portanto o Impeachment é indevido!", não concordo.

Imagine o seguinte cenário: houve um assassinato, mas não se sabe que o cometeu. A investigação se inicia e uma lista de suspeitos é formada. Os suspeitos são interrogados para uma primeira analise. Aqueles que conseguem comprovar a sua inocência, são liberados e removidos da lista de suspeitos. Por outro lado, aqueles que não conseguem comprovar sua inocência são mantidos na lista de suspeitos, mas não são declarados culpados, afinal, são apenas os prováveis culpados. Até que consigam provas de que os crimes foram cometidos por suspeito X, ele não é preso, mas é mantido sobre vigilância (em alguns casos, até são presos preventivamente). Quando a culpa é finalmente constatada, o suspeito X é preso e os outros suspeitos, bom, eles deixam de ser suspeitos.

No caso de nossa presidente, ela é a única suspeita de um crime que só poderia ser cometido por alguém que ocupe o mais alto cargo de nossa republica, o cargo presidencial. Sim, ela ainda não foi comprovada como culpada, mas se o crime de fato existiu, ela é a única que era capaz de cometer o crime. Não por conta de sua índole, mas por conta do nível de autoridade necessário para cometer o ato.

Agora, a discussão é se o crime existiu ou não. Bom, vamos para outra analise: para existir um crime se caracterizar como assassinato, é preciso existir um corpo, certo? Sem o corpo, não há crime. Assim como em casos de desaparecimento, só podemos dar a vitima como morta, se há um cadáver para comprovar isso.

Eu entendo que o que estamos procurando hoje, é o "cadáver" que confirme as "pedaladas fiscais". Sabemos que algo aconteceu com as contas do governo, e sabemos que o único que poderia ter sumido com elas é a presidente, o que falta é a prova (ou o "cadáver", para se encaixar em nossa analise).

Por isso eu entendo que o Impeachment é justo.

Dito isso, na madrugada de hoje (12/05), o senado votou para que o processo de Impeachment seguisse em frente. Dilma foi afastada, Temer irá assumir por 180 dias e tudo parece estar caminhando como deveria, correto? Não, infelizmente não.

Mesmo concordando com o prosseguimento do processo, estou muito preocupado com o que pode ocorrer ao Brasil nos próximos anos. Por quê? Bom...

  1. A  Dilma não é a única que precisa sair do poder. 
    • Existem vários políticos que estão tão sujos, ou até mais do que ela e ainda estão no poder. Algo precisa ser feito. 
  2. A economia não vai magicamente melhorar porquê a presidente saiu do poder.
    • Na verdade, deve piorar bastante ainda, antes de melhorar. 
    • Só existirá a possibilidade de melhora se tudo que precisa ser feito for realizado, da maneira mais correta possível!
    • Quem sabe quanto tempo será necessário para as coisas melhorarem?
  3. O povo deve saber exatamente o que está acontecendo, sem ilusões, sem partidarismo, sem exageros.
    • Enquanto não tivermos um entendimento claro do que aconteceu, haverá divisão, e com a divisão, a possibilidade de uma guerra civil se torna, assustadoramente, inevitável.
Sei que nem todos concordam e estão felizes com o processo de Impeachment, mas devemos ter a sensatez de olhar para a situação e questionar "o que seria, de fato, melhor para o Brasil?". Não me parece que o Temer fará um bom trabalho, mas que fique de lição para a nação: devemos sempre vigiar os políticos, e quem não fizer as coisas da maneira certa, não permanecerá no poder!

É isso que penso sobre nossa situação politica atual. 

Be blessed

terça-feira, 29 de março de 2016

Paz de Espirito


O que é ter paz de espirito? Pergunte a qualquer um, e ninguém saberá te dar uma resposta definitiva. Cada um acha que tem a resposta e seguem suas vidas de acordo com essas respostas.


Cada pessoa tem o seu ponto de vista e sua maneira de ver o mundo, mas -ao mesmo tempo- todos querem ter a mesma opinião sobre tudo. Eu cansei de ouvir discussões sobre "quem está realmente certo" em tudo quanto é lugar. Estou cansado delas. Pessoas lutam todos os dias pelas razões que acham justas. Matam, roubam, destroem, estupram, maltratam... Tudo isso, porquê "a minha causa, é mais justa que a sua ". O pior disso tudo é que não consigo simplesmente dizer "Ah, eu não me importo.", porque isso tudo me incomoda. Incomoda muito. E isso me incomoda, porque eu me importo.

"Que se exploda a opinião dos outros, Daniel! Por quê você se importa? Você seria muito mais feliz se não se importasse!". Mentira! Apatia, indiferença e desinteresse nunca são a resposta!

No momento em que você se isola, se coloca fora da situação, você está se colocando acima de tudo e de todos. Você se torna o centro do universo e tudo tem que ocorrer em seu favor, do contrário, não faz parte do seu "universo". Qual o problema disso? Bom, quantas pessoas existem no planeta Terra? Bilhões. Agora imagine o que aconteceria se cada uma dessas pessoas se isola-se em seu "universo perfeito" e, com isso em mente, pense na pergunta: Todos os problemas do mundo seriam resolvidos? Não, porque quando nos tomamos a decisão de agir de maneira tão egoísta, nós sempre reprimimos as necessidades daqueles que consideramos inferiores a nós mesmos.

"Bobagem Daniel, você está exagerando.", será que estou mesmo? Vamos para um exemplo prático:
Vocês tem acompanhado as campanhas eleitorais para a Presidência norte americana? Não? Bom, tem um cara, chamado Donald Trump, que está concorrendo para a eleição dos EUA (talvez você conheça ele do show The Apprentice dos EUA). Esse cara tem feito sua propaganda sob o Slogan "Make America great again" (ou, em tradução livre "Faça a America grande de novo"), linda mensagem, não é? O problema é que debaixo dessa mensagem bonita, Trump, tem planos que tem deixado todos apreensivos com sua possível vitória eleitoral.


Dentro de seus discursos e seus debates, o ponto que vem em destaque é seu discurso preconceituoso. De maneira resumida, o candidato a presidência dos EUA (uma das maiores potências mundiais) tem discutido que, os estrangeiros em seu país são um problema que deve ser excluído de seu território (porque eles são os causadores de outros problemas). Para vocês terem uma ideia, Trump. disse que um muro deveria ser construído na fronteira dos EUA com o México. UM MURO!!! Por isso, e outras "pérolas", o candidato tem sido comparado a Hitler (que é considerado, por nossa sociedade, o exemplo máximo do que os discursos de ódio podem causar).

"O que isso tem a ver com se importar com os outros e com paz de espirito?", você pode me perguntar. Minha resposta seria: Apatia e indiferença nós alienam aos problemas dos outros, dessa forma, não consideramos os mesmos como importantes. Não considerando os problemas dos outros como importantes, nossas decisões entraram em conflito com as decisões de outras pessoas (já que cada um tem a sua prioridade). Esse conflito, tira a nossa paz.

Diferentemente do que algumas pessoas pensam, eu não acredito que a solução seja que todos aprendam a pensar da mesma maneira. Se todos pensassem da mesma maneira, uma das coisas mais belas da nossa sociedade, não existiria: o indivíduo.

Assim como diz em um dos melhores livros já escritos, "Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?". Faz sentido, não?

Saber trabalhar em conjunto, é a melhor solução de problemas. Você não precisa concordar comigo, e nem eu contigo, mas o que precisamos fazer é aprender a conviver em harmonia.

Pra mim, isso é paz de espírito.

                                   
Be blessed

quarta-feira, 16 de março de 2016

"Justiça" seja feita.


Cada um tem o próprio entendimento do que é e/ou não é justo. Cada cultura tem a sua própria definição de justiça. Algumas acreditam em, apenas, justiça divina. Outras, acreditam que tudo que não se encaixa em seu padrão de justiça, é passível de morte. E por ai vai.

Por que estou falando disso? Bom, hoje tive a noticia que uma pessoa que está sob investigação (e é acusada) por diversos crimes será nomeada para um cargo público, dessa forma, evitando a necessidade de responder a tais acusações.

Meu problema com isso? O que deveria ser feito, não está sendo feito. Meu país, que sofre com sérios problemas de abusos de autoridade, corrupção, desvios de verba, assassinatos, ignorância seletiva, ódio, miséria, pobreza, descaso social, desigualdade social,  preconceito de todos tamanhos e formas - e tantas outras coisas - não dá sinal de mudança. Isso, não é justo.

Se você acha que meu problema é com um único politico, você está errado. Se você acha que isso se trata de não gostar de partido X e preferir partido Y, você não entendeu o que realmente está me incomodando.

Inércia. Isso é o que está me incomodando. Como diz a lei da Inércia: 

  1. "Se um corpo está em repouso ele irá permanecer neste estado até que uma força externa seja aplicada neste corpo”;
  2. “Um corpo só pode permanecer em movimento se existir uma força atuando sobre ele”;
  3. “Se um corpo está em movimento uniforme este permanecerá em movimento até que uma força mude isso”.
Atualmente, estamos no 1°. E não parece que vamos sair dele tão cedo...

Quem mais vai precisar morrer para que entendamos que as coisas precisam mudar? Quantos bilhões terão de ser desviada para que percebamos o que está acontecendo? Quantos crimes raciais terão de acontecer para percebemos que esse ódio só nos corroê?  Quantas vezes seremos enganados, até percebemos que estamos sendo feitos de palhaços?

Cada cultura tem a sua definição de justiça, disso eu sei... E eu também sei que estagnação leva a morte.

Be Blessed